Dois Metros de Solidão Alimentados pelo Derby Azul

Eu só queria me lembrar
O que eu estava segurando

Tinha uma mina que estava segurando
As cinzas da latinha
Por que ela não merece
Ir embora
Mas o cara do Derby azul...

Então o problema é que todo mundo
Quer ser assassino
Ninguém quer ser mocinho
E todos querem
Se matar

Vamos na rua do Calo
Jogar pedras no rio
Para matar todo mundo

Tá bombando
Como repórter
E acaba descobrindo
Os segredos
Com uma pinça
C. com uma máquina de escrever
Porra!
Vai iluminar a vida da Bia

No meio do filme
Quem será do bem
E quem será do mal
Quando vi o cara chegando
Sinistro!
Altas capas
5 cabeças
Tocava o terror
E eles morreram

Se eu falar você não
Vai entender
Não venha com essa frase
Você vai achar
Que eu sou louco
Pode ser que eu não entenda

Ele nunca foi preso
Se o cara duvidar
De alguém
Ele te mata
Mas esse episódio nem existe
Você nunca vai saber
Se essa é a idéia
Ou não

Uma coisa fixa
É a conclusão da teoria dele

Ou não tinha pira nenhuma
Mas o cara soube investigar

Pra cada um uma coisa diferente

O filme?
Cadê?

A assistente está bem comportadinha

Depois da entrada de Barra do Sul

Claro!!!
Filma isso!
Tu nem lembra sua loka
Fala aí!!!
Vocês têm que pedir pra elas passarem o B.

Por que a briga começou por um B.
Ta aceso ainda! Só puxá!

Na minha geladeira tem uma sobremesa

O que será que a P. vai falar?

Mas você também está no ritual
Eu achei que vocês
Tavam brincando
Mas você falou toda natural
E eu confiei em você
Era só um ritual

Vamos dar banho

E fazer festa o tempo inteiro

O teu é azul?
Ou amarelinho?

Autora: B.

Deus
por favor
exista

falar quer dizer
que quem fala
podia fazê-lo

qualquer um
também faz
mas não pode

a diferença
é quem ouve
não a fala
mas onde
e quem declara

corpus

se tenho um corpo
possuo
uso e abuso
talvez sobreviva
após o desuso

se estou num corpo
recuo
espero
vivo
noutro lugar

se sou um corpo
aqui estou
todo eu
todo aqui
com você

ei você que lê
lê que você ei
de um dia
anoitecê!

(c)idade da pedra

pedra lascada
lata amassada
domínio do fogo

na cidade de pedra
qualquer idade
é a idade da pedra

hoje mesmo
vi um lindo ninho
numa estranha árvore
era fria
pálida
morta
era um poste

isso será isso
assim o chamarei
se eu for rei
nem insisto
isso será isso

depontacabeça

vivos fracos
mortos fortes

velhos rótulos
a novos frascos

mortos frescos
jovens mortos

novos rótulos
a velhos frascos

assédio textual

comprei um caderninho
pra escrever coisas
não escrevi nada
até agora

forcei a barra
peguei uma caneta
e estuprei o papel
fiz a hora

achei numa coluna de jazz...


raulzito
um sussurro
um silêncio
um grito

injusto é
ter olhos e pernas
braços e bocas
com ditames
cercas
e arames
colocadas
pelo medo
medo de quê?
disso mesmo:
da dúvida

poemazia

da azia
pari a
poemazia

parto normal
volto anormal

nada de luxo
a azia
é um poema
do estômago
em refluxo

Homo sonorus

sempre emito sons.
mesmo parado,
mesmo parado não estou parado.
por isso emito sons.
no mínimo o coração pulsa
por isso tenho cuidado,
pra não soar qualquer som.
já que é inevitável,
que seja algo bom.

não somos ocidente
mas ocidentalizados

todo dia o dia todo

contentes?
contentados!

todo dia o dia todo

queira mais oriente
só que menos gente


toda noite a noite toda

Nuvens
Tão referidas
Apedrejadas e
Buscadas
Acima delas
Não há chuva
O Sol
Sempre brilha
A(l)tivo
Sem mim
Sem você
Ele seria?

quando criança
tudo era Uno
sem fim
começo
ou rumo
apesar de distante
ainda ouço
baixinho
aquele sopro

Rara arte
Que farejo
Onde estarás?
Índex
Do meu desejo